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Será que sua blusinha veio da China?
Com o aumento dos casos de dropshipping, nossa equipe resolveu investigar mais sobre a prática 🕵️♀️
A história é antiga: você passa dias namorando uma blusinha, finalmente compra, passa dias ansiando a chegada e quando ela finalmente é entregue… ela não se parece NADA com o que foi prometido! Um verdadeiro filme de terror para as #apaixonadas por compras 😱 Você provavelmente já passou por uma situação parecida - que já faz parte dos “contras” das compras online. Mas com tantas transformações - e com o avanço das imagens de IA (!!!) - esses casos tem ficado cada vez mais comuns…

Imagem: Giphy | Reprodução
Você já deve ter visto uma loja que aparece no TikTok ou no Instagram com um feed impecável, roupas que parecem ter saído diretamente de uma marca gringa e vídeos de pessoas usando peças que, até então, você nunca tinha visto por aqui. O site tem nome próprio, identidade visual e os preços muita vez são aquele meio termo perfeito - nem tão caro como nas grandes lojas mas nem tão barato quanto na Shein ou Aliexpress (o que leva o consumidor a acreditar que a roupa tem uma qualidade maior). Algumas semanas depois, a encomenda chega e a embalagem, o tempo de entrega e até a própria peça fazem surgir uma dúvida: será que essa roupa veio mesmo daquela loja?
🏡🔍️ É aí que entra o termo que vem alugando um triplex na nossa mente: dropshipping.
AFINAL, O QUE É O TAL DO DROPSHIPPING?
Apesar de ter se tornado uma palavra associada a golpes e lojas suspeitas na internet, o dropshipping, por si só, é apenas uma forma de realizar uma venda. Nesse modelo, a loja não precisa manter um estoque próprio dos produtos que estão a venda. Em vez disso, o fornecedor primário fica responsável por armazenar, embalar e enviar o item diretamente para o consumidor.
Na prática, funciona assim: uma pessoa cria uma loja virtual, escolhe os produtos que quer vender, cuida da divulgação, do atendimento e da identidade da marca. Quando alguém faz uma compra, o pedido é repassado ao fornecedor, que envia o produto diretamente para o cliente.
Enquanto modelo de negócios, o dropshipping é uma prática inofensiva. O problema começa quando a relação entre loja, fornecedor e consumidor não é transparente.
Uma blusinha pode ser anunciada por R$150 em uma loja brasileira e ser encontrada em outro lugar por um preço MUITO menor. Isso não significa automaticamente que a loja esteja fazendo algo ilegal - existem custos de marketing, impostos, operação, atendimento e outros fatores que entram no processo de precificação.
Mas e quando a loja dá a entender que produz aquela peça? Ou que ela é exclusiva? E quando não deixa claro que o produto será enviado de outro país? Ou quando uma peça de um pequeno designer aparece reproduzida em uma loja que não dá nenhum crédito ao criador?
Foi justamente depois de passar por um desses casos que nosso time resolveu vestir nossa skin de #detetives 🕵️♀️ para descobrir mais sobre os perigos do dropshipping…

POV: Quando eu sei que meu vestido veio da Shein mas não sei como provar / Imagem: Pinterest | Reprodução
Elementar, meu caro Zelier! A origem dessa news começa no Natal de 2025, quando uma das nossas redatoras resolveu comprar o tão aguardado “look para passar o Natal no sofá da sala”... Quando o vestido chegou e não se parecia em nada com a foto e com a qualidade prometida, nós descobrimos o mundo por trás do dropshipping enganoso.
O problema, nesses casos, não é lojas revendendo roupas compradas na China. O dropshipping se torna um problema quando um consumidor compra uma peça de 200/300/400 reais acreditando ser uma produção única da própria loja e (com uma pequena busca reversa) descobre que o produto é na verdade algo produzido em massa e, muitas vezes, que pode ser adquirido de forma MUITO mais barata em plataformas como Shein e Aliexpress.

Na imagem:
1. O vestido sendo ofertado pela loja que realiza dropshipping;
2. O mesmo vestido sendo ofertado por vários vendedores diferentes no Aliexpress;
3. Vestido de modelo similar (busto com
corset) adquirido pela nossa redação na mesma loja no ano passado.
E QUEM CRIA ESSA PEÇA?
O problema fica ainda mais complexo quando saímos da discussão sobre preço e entramos no território da criação. Na moda, existe uma área conhecida como Direito da Moda, que reúne diferentes questões jurídicas relacionadas à indústria, incluindo propriedade intelectual, marcas, contratos e direitos relacionados à criação.
Mas existe uma linha que nem sempre é tão simples de identificar: qual é a diferença entre inspiração e cópia?

Imagem: Pinterest | Reprodução
A inspiração parte de uma referência para criar algo novo. Já a cópia reproduz majoritariamente uma criação protegida sem autorização. O plágio, por sua vez, envolve também a apresentação daquela criação como se fosse própria, sem reconhecer sua autoria.
Na moda, essa discussão fica ainda mais complicada porque tendências circulam o tempo inteiro. Uma modelagem, uma cor ou uma estética podem aparecer em várias marcas sem que isso signifique necessariamente uma cópia.
O cenário muda quando uma peça específica de um designer ou de uma marca independente é reproduzida praticamente da mesma forma, como no exemplo apresentado, especialmente quando isso acontece sem autorização, crédito ou qualquer reconhecimento de quem criou originalmente aquele design.

Na imagem:
A versão original do vestido que usamos de exemplo, na loja australiana Baby Boo Fashion.
E O CONSUMIDOR? COMO FICA?
Comprar de uma loja que trabalha com dropshipping não significa necessariamente que você foi vítima de um golpe. Mas o modelo exige um pouco mais de atenção, principalmente quando o aumento das IAs generativas torna a reprodução dessas imagens cada vez mais fácil!
Antes de clicar no “comprar agora”, vale revisar a checklist:
Confira se a loja informa de onde o produto será enviado.
Compare o produto em outros lugares.
Desconfie de informações confusas.
Leia as políticas da loja.
Não confunda uma publicidade e feed bonito com uma garantia de procedência.
Para entender melhor o que fazer quando passar por uma situação como essa, nossa equipe conversou com o diretor executivo do Procon-SP, Luiz Orsatti. Confira:
O Procon-SP reforça que o Código de Defesa do Consumidor determina que é dever do fornecedor dar todas as informações referentes aos produtos e serviços de forma objetiva, transparente, precisa e verdadeira. Dados referentes aos preços e formas de pagamento, características e especificidades, nos casos em que couber, data de validade e rotulagem, por exemplo, são obrigatórias e dever ser oferecidas ao consumidor em todas as ofertas e publicidades para que ele possa avaliar suas escolhas de compra e contratações de forma segura e consciente. Por sua vez, a recomendação aos consumidores é que, antes de qualquer compra ou contratação, pesquisem sobre o item (preço, qualidade, benefícios etc.). A empresa que oferece o produto ou serviço também deve ser avaliada – verificar indicações com amigos e conhecidos, buscar por informações oficiais, consultando os canais oficiais do fornecedor e checando em órgãos de defesa do consumidor são atitudes que podem auxiliar na escolha. A orientação do Procon-SP é que em todas as transações o consumidor guarde todos os documentos, como pedido de compra, nota fiscal, mensagens, etc. Caso o consumidor entenda que foi enganado, pode tentar uma solução diretamente com a empresa; não obtendo um retorno satisfatório, pode acionar o Procon de sua cidade. O Procon-SP disponibiliza atendimento por meio da plataforma www.procon.sp.gov.br.
ENTÃO… DROPSHIPPING É GOLPE?
Não necessariamente. O dropshipping é, acima de tudo, uma maneira de organizar o estoque e a entrega de produtos. Ele pode ser utilizado de forma legítima por empresas que deixam claro para o consumidor como a operação funciona. O problema aparece quando o modelo é usado para criar uma distância entre quem vende e quem compra - seja escondendo a origem do produto, dificultando uma devolução, utilizando imagens enganosas ou, em alguns casos, comercializando produtos que podem reproduzir criações de outras pessoas.
No fim, a questão não é simplesmente “essa loja faz dropshipping?” e sim “ela está sendo transparente sobre isso?”.
(E, para quem gostou do tema, nossa equipe recomenda o canal da Safiya Nygaard! No quadro “The Internet Made Me Buy It”, ela compra produtos de propagandas com cara de dropshipping e compara as entregas em várias lojas!)
Toc, Toc! Tem alguém ai? 🚪👀

Hello, Ju!!! 💝💝💝 Conta pra gente, quais são as 3 coisas que estão alugando um TRIPLEX na sua cabeça ultimamente?



Os seus highlights preferidos do mundinho fashion desta semana! ✨ No botão abaixo, você confere todas as notícias. 💖💊
ALEXANDRE HERCHCOVITCH X TURMA DA MÔNICA
Unindo duas paixões do Brasil, Herchcovith lançou a coleção Um Amor Dentuço, uma colaboração com a MSP Estúdios, inspirada no Penadinho. A coleção inclui 5 peças unissex, formadas por camisetas de algodão e blusões de moletom e mistura os o universos das duas marcas icônicas. 👻

TOM FORD INAUGURA PRIMEIRA BOUTIQUE NA AMÉRICA LATINA, EM SP
Com a inauguração prevista para o final de setembro, a primeira boutique da Tom Ford Beauty na América Latina apresenta um novo destino de beleza de luxo e oferece a expressão mais completa do universo Tom Ford Beauty no Brasil. O espaço contará com coleções de fragrâncias icônicas da marca, incluindo as linhas Signature e Private Blend, além de consultorias personalizadas de fragrâncias e serviços de scent styling. A linha completa de maquiagem também estará disponível.


É só mandar um e-mail para [email protected] com seu nome, idade, data e hora (se aplicável) e a ocasião que você precisa de um look que a gente te ajuda com o resto!
Até semana que vem! 💚
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