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[milebooks #5]: Ano novo, vida nova!
Aquele momento em que você faz as promessas
Com a conclusão de mais uma volta do planeta Terra, a gente sente que tudo pode mudar. Enxergar propósito em viver, sonhar e desejar coisas boas, para atrair para o ano que está se iniciando. Vestir roupa branca para ter paz, vermelha em prol do amor, verde/amarelo (nunca se decidem) para trazer dinheiro e prosperidade e por aí vai. Comer 12 uvas embaixo da mesa, pular sete ondinhas, comer lentilha, oferendas para Iemanjá e as tradicionais promessas de ano novo. ⭐️

As famosas promessas variam muito e tem gente prometendo que vai entrar para academia, que vai deixar de ser trouxa, que vai emagrecer, que vai viver mais, usar menos o celular, conhecer gente nova, parar de beber, focar nos estudos, passar em concurso, mudar de trabalho, arrumar um namorado, ler mais, mudar radicalmente de vida, e por aí vai…
Tem quem só vê o ano passar e reinicia o ciclo de promessas novamente. E tem também aquela que vai virar assunto nas rodinhas com comentários do tipo “Viu, que fulana tá viajando o mundo?”, “Menina, e ciclana que vai casar”, “Garota, beltrana passou em um concurso e foi morar em Rondônia”, “Caraca, olha fulana de tal, que gata”. E é delas que viemos falar! As que realmente tem coragem de embarcar nas mudanças, encaram o ciclo e planejam uma mudança radical. Que seguem a linha da deusa ajuliacosta e cantam alto “Vou mudar meu cabelo, botar uma saia curta só pra me olhar no espelho”.
É óbvio que não podemos refletir a nossa realidade nos outros e nem todo mundo consegue fazer uma mudança gigantesca na vida. Porém, existem pequenas mudanças que fazem toda diferença e mudariam sua vida. Não precisa ser nada revolucionário. Comece pelo simples.
Dizer mais “não”, se impor, para de ser pau para toda obra e veja que as obras diminuem. Muda o corte de cabelo, compre roupas novas e faça aquela mudança de estilo que sempre quis. Se possível, saia desse emprego que é abusivo, te faz mal, te sobrecarrega. Usa aquele dinheiro que você sempre guarda para uma emergência e vai fazer a sua viagem dos sonhos, sozinha ou com as amigas. Por falar nelas, para de vez de falar com aquela que você sabe que não é uma boa amiga e te faz mais mal do que bem. Saia para uma noite de garotas ou para uma baladinha com mais frequência e aproveite a vida um pouco. Larga esse cara que você já percebeu que não te faz bem, que suas amigas já te alertaram e até sua mãe, que gosta de todo mundo, não gosta dele. Encare as mudanças!

A minha promessa para esse ano é que serei mais organizada financeiramente e que voltarei a me exercitar. São coisas muito simples, mas que dentro da minha rotina de 2 estágios, a coluna, meu perfil literário, ser presidente de uma atlética, faculdade, um podcast literário, namorado e vida social, tem ficado bem escanteado, confesso a vocês. Só que se eu não fizer por mim, quem vai? E o lado financeiro tem tudo a ver com conseguir voltar a me exercitar também, porque ter uma vida mais saudável é ter uma vida mais cara. São nessas pequenas atitudes por nós mesmas que conseguimos ter um olhar melhor sobre quem somos e dar aquele passo a mais para um lugar de amor próprio.
Mas bem, como isso daqui ainda é uma coluna literária, trouxe algumas opções de leitura que, espero eu, possa ajudar você nesta jornada, que tende a não ser fácil, mas pode ser mais gostosa se soubermos tirar coisas boas dela e aproveitar sem medo de ser feliz!
Teoricamente Princesa
Avaliação: ⭐️ ⭐️⭐️⭐️⭐️

Imagem Reprodução: Internet
Dividida entre a pós-graduação e o emprego de garçonete, Naledi Smith não tem tempo para contos de fadas. Ou paciência para os e-mails constantes alegando que ela está noiva de um príncipe africano. Órfão, ela aprendeu que só pode confiar em si mesma. O príncipe Thabiso é o único herdeiro do trono de Thesolo. Seu casamento está no topo da lista de prioridades do reino. Ele localiza sua noiva prometida, que desapareceu quando eles ainda eram crianças. Quando Thabiso vai até ela, Ledi acredita que o príncipe é um garçom e ele não resiste à chance de experimentar a vida – e o amor – sem o peso da coroa. A sintonia entre eles é instantânea, o que rapidamente resulta em uma paixão.
Ele me impactou em muitos níveis, mas em primeiro lugar queria enaltecer a escrita PERFEITA da Alyssa Cole. Ela pegou um enredo até que batido e fez dele uma obra prima. Impecável. Em segundo lugar, o fato de ser uma narrativa com protagonistas (os demais personagens também) afrocentrados, me fez feliz demais. A construção da relação, como o segredo não é o ponto da história, a forma como a Ledi vai se deixando ser vulnerável, o encontro com os avós, a aproximação com a prima, TUDO LINDO!
Ledi teve que ser independente a vida inteira. Isso tudo, enquanto ela se via desesperada por suprir as necessidades de todos, sempre falando sim, sem se impor. Com as mudanças que a impactam na narrativa, ela começa a mudar a si mesma. A cena em que ela, finalmente, fala não ao babaca do laboratório, eu fiquei igual aquele meme “Isso! Manda brasa, Elizabeth”. Quando descobriu a verdade sobre seu passado, apesar de toda mágoa que estava sentido, encarou a situação e foi firme sobre as suas decisões, se colocando como prioridade. Coisa que a Ledi do início do livro, jamais teria feito.

Imagem Reprodução: Internet
É por isso que eu indico Teoricamente Princesa, de Alyssa Cole.
Falsificadas
Avaliação: ⭐️ ⭐️⭐️⭐️⭐️

Imagem Reprodução: Internet
Ava Wong é a mulher perfeita. É advogada formada em uma faculdade de prestígio, casada com um cirurgião de sucesso e mãe de um lindo filhinho de dois anos. Mas quando as portas se fecham, o comercial de margarina acaba. O casamento está prestes a chegar ao fim, o diploma caríssimo não é usado e o filho está levando ela a loucura com toda birra da fase dos dois anos. Winnie Fang, a tímida chinesa, colega de faculdade, que desistiu dos estudos, reaparece para mudar a vida dela, cheia de confiança, coberta de produtos de luxo, inclusive a cobiçada bolsa Birkin, no clássico tom laranja. Como? Winnie criou um esquema de falsificação de bolsas de marca e precisa de alguém nos EUA acima de qualquer suspeita para ajudá-la... Alguém exatamente como Ava.
A ideia de uma dona de casa se tornando uma falsificadora de bolsas de luxo é GENIAL! Ava é de longe a pessoa que menos levantaria suspeita. A maneira como é narrada toda história também te deixa ainda mais intrigado para saber como tudo se deu, mesmo que você já entenda o resultado final. Além da empatia e da conexão que se cria com a personagem. Para depois perceber que nem tudo é como está pensando.
Ava aprendeu que a vida não é perfeita e nem dá para ser. Ela embarcou em uma mudança de vida radical (até demais), para sair da mesmice e fugir da vida de dona de casa e esposa troféu. Criou coragem e enfrentou os obstáculos. Apesar dos crimes cometidos ao decorrer da trama, é interessante acompanhar essas mudanças e dá para tirar coisas boas do processo dela (só não indico que você perca o réu primário). Ainda que Winnie tenha se aproximado por interesse, ela mostra como é importante ter apoio de uma amiga nestes momentos de crise. É uma narrativa bem controversa, mas que te leva a repensar muitas coisas. E vai te surpreender sobre como é ler algo pela perspectiva de uma só pessoa.
É por isso que eu indico Falsificadas, de Kirstin Chen.
Astrid Parker Nunca Falha
Avaliação: ⭐️ ⭐️⭐️⭐️⭐️

Imagem Reprodução: Internet
Para Astrid, falhar não é uma opção. Por isso, desde o fim do noivado, ela decidiu focar na carreira. Ela enxerga no convite para reformar a Pousada Everwood, em um reality show de reformas, uma chance de ouro. Até que surge Jordan Everwood, neta da dona da pousada. Ela detesta todas as ideias de Astrid e está decidida a preservar a essência da hospedaria. Logo suas sabotagens começam a rachar a fachada de perfeição de Astrid, fazendo com que ela demonstre a vulnerabilidade que nunca se permite ter – e isso faz a antipatia entre as duas se transforme em algo muito parecido com desejo.
Para quem quer ler esse e ter um pouco mais de contexto, preciso indicar também Delilah Green não está nem aí, o primeiro livro desta série, para entender porque a mudança da Astrid é tão drástica e necessária. Depois de acompanharmos o noivado, agora veremos ela para além dessa pressão de formar uma família, tentando se desvincular das garras narcísicas da mãe e sendo mais independente. É lindo. A descoberta dela enquanto uma mulher bissexual é uma das melhoras que eu já li, enquanto também mulher bissexual.
Aqui as mudanças de Astrid são em todos os âmbitos. Ela se liberta das amarras da mãe, do noivo babaca, das expectativas das pessoas sobre ela, da heteronormatividade. É muito legal ver essas mudanças acontecendo uma a uma. Ver ela entendendo que mesmo depois dos 30 ainda dá tempo de entender mais sobre si, de olhar com mais cuidado para si própria. Ela se permite não ser perfeita, ser vulnerável, se apaixonar mesmo depois do fracasso da última relação.
É por isso que eu indico Astrid Parker nunca falha, de Ashley H. Blake.
De: Milebooks
Para: Amiga literária

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