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[milebooks #6]: Referências e Inspirações
Aquelas que moldaram minha personalidade
Fui uma criança que assistia religiosamente aos filmes da Sessão da Tarde, fossem eles quais fossem. Sentava todos os dias com meu lanche em frente a TV e ficava lá hipnotizada, alucinada e vidrada quando as divas das comédias românticas invadiam a telinha. Meu dia ficava muito melhor quando eu assistia pela 14° vez a De repente 30, A proposta, O diabo veste Prada e, o maioral, Como perder um homem em 10 dias. Elas roubavam a cena com seus empregos incríveis, suas colunas, capas de revistas, editoriais,reportagens, etc.
Foi com essas influências que eu cresci. Mulheres empoderadas, inteligentes, independentes, bem sucedidas e lindas. Elas eram mulheres em cargos de liderança, comandavam e decidiam o que seria feito, propunham ideias incríveis e que poderiam impactar o mundo. As redações caóticas e vibrantes, brilhavam meus olhos. A mini Mile ao se imaginar ali, ocupando aqueles espaços, ser paga para escrever e falar, desejava profundamente fazer isso da vida. Aquelas protagonistas não só trabalhavam com comunicação, elas narravam o mundo. Foi assim que eu decidi o que queria para a vida. Vivendo nesse meio da comunicação, digo com tranquilidade que muitas outras meninas também decidiram assim.
Eu queria escrever por paixão, desejava contar histórias, dar voz às pessoas, queria que as minhas noites fossem ir em eventos chiquérrimos, estar nos meios badalados e entre famosos, narrar o cotidiano de uma maneira poética. Bom, preciso dizer que sim, alcancei esse lugar. Hoje, escrevo essa coluna INCRÍVEL sobre o que eu amo, trabalho em uma editora que publica os livros dos famosos, numa quarta qualquer tenho que ir ao cinema assistir um filme para resenhar ou vou em uma peça na lista vip, porque o autor é artista da editora, recebo mimos de marcas, publiquei um livro, trabalho com artistas incríveis e já fui a Bienal a trabalho. Mas será que é só esse glamour?
Ledo engano quem acha que é tudo um mar de rosas, que paixão enche barriga e que faço, escrevo e falo só do que gosto e, principalmente, do que quero. Às vezes, vão surgir pautas das quais eu odeio ter que escrever, ir em eventos chateeeeeérrimos e aguentar uma série de demandas uma atrás da outra, como se o mundo fosse acabar, se eu não as entregar. Existem as incertezas da profissão, se as contas vão fechar no fim do mês, se vou alcançar meus objetivos profissionais e se vai dar pra conciliar a rotina com todas as demandas. Isso a Globo não mostra.
No fim do dia, não estarei de vestido amarelo vivendo um amor com o Matthew McConaughey (amor, te amo, viu!). Não estarei andando entre os carros enquanto entrego looks bafônicos. A vida é glamorosa até a página dois. A romantização da profissão causa frustração quando você chega mega empolgada e dá de cara com um trabalho em redação sendo home office, com a imprensa sendo tratada mal em evento e não tendo um mês para escrever uma pauta. A quebra de expectativas pode te dar vontade de desistir, mas calma, não faça isso! É possível sim, trabalhar com o que você ama, ser feliz com sua profissão e não sentir que fez a escolha errada. Você só precisa ter a noção de que o caminho até lá pode ser demorado, difícil e frustrante. Aprenda a lidar com isso, porque até os nossos sonhos vão ser difíceis.
Bom, eu estou aqui falando um monte, mas talvez você seja de, sei lá, 2010 (sim, eles já não são mais crianças, pessoal) e não tenha como referências esse pessoal todo que eu falei aqui. Pensando nisso, e também em trazer um pouquinho de nostalgia para quem acompanhou essa era, trouxe alguns livros com protagonistas da área da comunicação para que vocês também possam ter em quem se inspirar!
Conversa com o ex
Avaliação: ⭐️ ⭐️⭐️⭐️ + ½

Shay Goldstein é produtora de uma rádio e acabou de se formar no mestrado em jornalismo. Ela é muito certa do que quer e de que está no caminho certo. Até que a rádio começa a passar por dificuldades e precisa de um novo conceito. Shay sugere um novo programa com dois ex-namorados dando conselhos sobre relacionamento. Seu chefe decide que ela e Dominic Yun, um colega de trabalho que Shay detesta, serão os apresentadores, porque os dois vivem em conflito. Nenhum dos dois gosta da ideia, principalmente porque terão que enganar o público, mas é isso ou o desemprego. O programa faz sucesso e com o passar do tempo e aproximação dos dois, a mentira passa a incomodar ainda mais. Como explicar aos leitores que eles não são ex-namorados? É possível sobreviver a essa mentira?
Essa história vai te envolvendo aos pouquinhos e te fazendo ficar preso na tensão sexual de Shay e Dom e na tensão pela mentirada em que eles estão envolvidos. Todo mundo sabe que mentira tem perna curta e que se tratando de um livro, isso é mais rápido ainda. Você vai ficando ansiosa para entender como isso vai se dar. O programa deles é de fato muito legal, gostaria que existisse de fato para conseguir ouvir! Apesar do chefe ter obrigado os dois a fazerem o programa e isso tornar ele um baita de um babaca, achei muito sagaz ele ter percebido a rixa entre os dois e usado disso. É instigante essa relação, ver a Shay caidinha por ele e tendo que lidar com a diferença de idade, logo geracional, e por isso implicando com o Dom por nada, enquanto ele tá querendo ela desde o início.
É por isso que eu indico Conversa com o ex, de Rachel Lynn Solomon.
After the kiss
Avaliação: ⭐️ ⭐️⭐️⭐️⭐️

Julie Greene é uma solteira convicta e feliz com sua escolha. Adora pular de casinho em casinho, os primeiros beijos cheios de desejos, dates que – de vez em quando –, terminam com os dois enrolados entre os lençóis. Julie têm arrepios só de pensar em se envolver de forma séria com alguém. Até que ela é obrigada a mudar quando recebe o desafio de escrever uma coluna, em primeira pessoa, do trajeto mágico entre o namoro e o, tão sonhado, sim. Julie precisa encontrar um homem que tope dar uma chance a alguém que tem alergia a relacionamento. Em situações normais, Mitchell Forbes seria O HOMEM. Certinho, workaholic, gostoso e tem um histórico de relacionamentos longos. Mas o querido decidiu mudar e ir em busca de ser livre pela primeira vez. Agora, Julie é exatamente o tipo de caso que Mitchell quer ter. Os dois são a pessoa certa um para o outro, mas na hora errada.
Lendo isso, me sinto sentada assistindo uma sessão da tarde de novo! É delicioso, vibrante, excitante e vem em doses colossais de comédia romântica. Acompanhar a Julie, que muda esse padrão do homem cafajeste e da mulher que é boazinha, sonhadora e quer um relacionamento e ver o Mitchell também tentando se libertar e ser alguém que ele não é, é divertido demais. Esse casal é de tirar o fôlego e me deixou com o frio na barriga lendo. E o melhor? Este é o primeiro livro da série “Sex, Love, & Stiletto”, ou seja, têm muito mais nesse mesmo estilo de leitura!
É por isso que eu indico After the kiss, de Lauren Layne.
Segundo clichê
Avaliação: ⭐️ ⭐️⭐️⭐️

Belladona Wilding não está nada satisfeita com seu trabalho na editoria de turismo, mesmo que seja na Verity, principal nome do segmento do entretenimento do país. Ficar escrevendo quais os 10 melhores lugares para passar férias não faz ninguém te levar a sério. Quando seu emprego está em risco, ela recebe uma última chance: ir ao México falar bem de um hotel de um velho rico. Era o que Bella esperava. Mas ela encontra Iliana Mondragón, uma atriz misteriosa, que no auge da fama fugiu da maior premiação de Hollywood. Agora, depois de 8 anos, Lia está vendo sua vida, finalmente, entrando nos trilhos, com seu recente divórcio e a inauguração de seu hotel. Bella querendo desvendar todos esses mistérios, propõe uma aposta a Lia: um verão no hotel e ele na capa da Verity. Como isso poderia dar errado?
Sei que ele pode te assustar com suas mais de 1000 páginas, mas você vai se apaixonar na primeira linha dele. É instigante, intrigante e intenso! Bella tem um humor ácido, irônico, que te faz rir sem nem perceber. Lia é uma mulher mais velha, refém de muitas inseguranças com seu passado. Fiquei muito curiosa para descobrir o que havia acontecido com Lia, devorei as páginas para entender ela, porque ela é um mistério até para o leitor. Ao mesmo tempo que queria entender como duas pessoas tão diferentes iriam ficar juntas. E não é que deu certo? E é uma baita casal, daqueles que te fazem torcer do início ao fim. Mesmo com temas mega difíceis sendo abordados durante a trama, você ainda sim se diverte lendo tudo isso.
É por isso que eu indico Segundo clichê, de Line Cunha.
Entrevistando você
Avaliação: ⭐️ ⭐️⭐️⭐️⭐️

Naomi é uma jornalista em busca de um lugar na área do entretenimento, especificamente na área do cinema, na emissora em que trabalha como apresentadora de bingo na madrugada. Quando Benjamin Kalu, um renomado astro do cinema, que não gosta de falar com nenhum veículo midiático, aceita dar uma entrevista à emissora, desde que seja falado em suaíli, sua língua materna, Naomi vê nesta a sua chance de mostrar seu potencial. Enquanto ela está batalhando para cravar seu lugar e lidar com a tensão e desconfiança mútua entre ela e Ben, o Oscar vai acontecer em Salvador pela primeira vez na história.
TÃO INCRÍVEL se enxergar em uma história, em uma personagem. Ver que pessoas negras podem sim e DEVEM ocupar esses espaços. Tive tanto medo ao escolher jornalismo e não ter espaço para alguém como eu nessa profissão. E, assim como aquelas personagens que a Milena de 8, 7 anos assistia e se inspirava, personagens como a Naomi me inspiram hoje. Além disso tudo, a escrita da Roberta te prende e te guia por essa história de uma maneira que você nem percebe o tempo passando. A química de Naomi e Benjamin são sentidas como se fosse real e você estivesse vendo acontecer na sua frente. Ben é tãoooo perfeitinho que te deixa até irritada com quão incrível ele é, tipo, “pare com essas brincadeiras gostosas, querido, senão eu me apaixono”. Para além do romance, a história trata sobre uma pretinha conquistando seu espaço e lutando pelo o que é seu e ainda temos uma amizade linda entre ela e Luísa. E, é genial a ideia do Oscar se passando em Salvador, a vontade que dá de conhecer a cidade ao ler ela narrada pelos olhos de Roberta é indescritível.
É por isso que eu indico Entrevistando Você, de Roberta Gurriti.
De: Milebooks
Para: Amiga literária

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