SPFW 2026: Santa Resistência

Diretamente da SPFW N61, confira tudo que nossa equipe viu no desfile da Santa Resistência

Na Santa Resistência, duas paixões no campo das artes se encontram: no teatro e o carnaval. A combinação de Shakespeare e a escola de samba Estação Primeira de Mangueira pode até parecer peculiar no início, mas dentro da passarela serviu de base para a contar uma nova história a relação entre a paixão dos mangueirenses por sua escola e sobre as relações dentro da própria comunidade da Mangueira.

Imagens: Ze Takahashi/ @agfotosite

Para criar sua nova coleção, batizada de Otelo Brasileiro, uma Paixão em Verde e Rosa, Mônica Sampaio, diretora criativa da Santa Resistência se inspirou primeiramente em “Otelo, o Mouro de Veneza”, obra de William Shakespeare de 1603 que aborda temas como amor, desejo, ciúme, poder, preconceito e identidade. Essa narrativa ganha nova dimensão quando Mônica a combina com o musical brasileiro “Otelo da Mangueira”, idealizado e dirigido por Gustavo Gasparani, que desloca o universo shakespeariano para o Morro da Mangueira da década de 1940.

E para quem também ficou curiosa com a proposta, a peça está disponibilizada na íntegra no YouTube!

No musical, o amor trágico entre Otelo e Desdêmona é embalado por uma trilha sonora composta por grandes figuras mangueirenses, entre elas Cartola, Nelson Cavaquinho, Heitor dos Prazeres e Nelson Sargento. É nesse encontro entre Shakespeare com o samba da Mangueira que surge Otelo Brasileiro, uma Paixão em Verde e Rosa. Mônica se inspira na literatura e na música não para reproduzir as respectivas narrativas, e sim para reelaborar as provocações que ambas trazem através da moda. A narrativa em questão tem como fio condutor as cores verde e rosa da Mangueira e a paixão de Mônica pela cultura do samba e por seus grandes compositores.

“A roupa deixa de ser apenas vestimenta e passa a participar da construção de uma narrativa sobre paixão”.

Monica Sampaio, diretora da Santa Resistência

A paleta de cores do desfile foi toda composta por desdobramentos do verde e rosa que dá o tom da Mangueira. Com destaque especial para o jacquard desenvolvido especialmente para o desfile pela RenauxView, parceria que já está em seu segundo ano, e que teve como papel representar essa união do período Elisabetano das obra de Shakespeare com as clássicas cores da escola da Mangueira. O verde e rosa característicos também apareceram nas peças bordadas com trechos de sambas históricos da Mangueira e nas estampas pintadas em aquarela pela designer Marcela Citon, com uma representação de personagens icônicos ligados à cultura do samba e da Mangueira, como Mussum, Alcione, Cartola e Nelson Cavaquinho.

Na trilha sonora: dos sambas enredo até músicas de verdadeiros apaixonados pela escola deram o tom do desfile que foi, em resumo, uma longa e poderosa carta de amor para o carnaval carioca. Mas a grande cereja do bolo foi a participação da bateria da própria escola, num dos momentos mais emocionantes desta edição da SPFW!

Imagens: Ze Takahashi/ @agfotosite

Reply

or to participate.