"Bridgertoncore" - A moda no Período Regencial

Com a estreia da 4° temporada da série, entramos na nossa máquina do tempo para saber mais sobre as roupas femininas da época!

“Querido e gentil leitor, 

Enquanto a alta sociedade mergulha em bailes deslumbrantes, olhares calculados e escândalos, esta autora se encontra presa em sua casa de verão maratonando a nova temporada de Bridgerton. Mas por trás das mangas bufantes e dos diamantes da temporada, não posso deixar de me questionar: qual será a história que os salões de Mayfair podem nos ensinar? Preparem seus leques, pois esta conversa promete revelar os segredos e fofocas transportados diretamente da corte da Rainha Charlotte! Afinal, é uma verdade universalmente reconhecida de que não há nada mais revelador do que a moda.

Atenciosamente,

Lady Whistledown Zélia”

Imagem: “Bridgerton” | Reprodução

Não é novidade que nosso time é OBCECADO por romances de época. Com a estreia da 5° temporada de “Bridgerton”, nós finalmente terminamos a contagem de dias para mergulhar em bailes, casamentos e escândalos. Mas, afinal… o que é verdade e o que faz parte da liberdade criativa da série? A gente pode até não saber tudo sobre conquistar um duque, mas de roupa a gente entende! Por isso, ativamos no modo #historiadoras para saber t-u-d-o sobre as vestimentas femininas do Período Regencial 🔍️ 

“Mas calma, Zélia! O que é esse tal de Período Regencial?”

Nós chamamos de “regencial” o período entre 1811 e 1820, onde o Príncipe Regente da Grã-Bretanha (George IV) governou a Inglaterra até a morte do Rei George III - o mesmo da série da rainha Charlotte - que estava muito doente na época. Então “Bridgerton” tem sim o seu pingo de verdade, se inspirando em figuras como a Rainha Charlotte e o Rei George, misturados à temas atuais como a representatividade!

Imagem: “Rainha Charlotte: Uma História Bridgerton” | Reprodução

O Período Regencial da Inglaterra se tornou um dos queridinhos da cultura pop. A alta sociedade da época girava em torno da etiqueta e das normas sociais - sendo um ótimo cenário para escrever romances cheios de bailes e escândalos. E grandes ícones da literatura viveram durante o período, como Lord Byron e Jane Austen! 

E é claro que na moda não seria diferente! As roupas da época seguiam o movimento neoclássico, com inspiração na Grécia Antiga, e marcaram uma verdadeira transformação no estilo - que era um sinônimo não só de gosto, mas de status e posição social. Provando que roupa não é só tecido: é comunicação e história.

Imagem: “Bridgerton” | Reprodução

As tendências de moda do Período Regencial tiveram início nas ruas de Paris, que havia acabado de passar pela Revolução Francesa. Tudo isso combinado ao aumento dos estudos das artes da Antiguidade e aos ideais iluministas. Esse SHOW de história da arte trouxe uma mudança radical na modelagem das roupas, como, por exemplo, os vestidos fluidos e brancos - que já tinham aparecido antes da Revolução, na forma de chemises - e viraram uma verdadeira febre na Inglaterra regencial.

Mas a principal característica da moda feminina da época foi a “silhueta império” (!!!). Com ela, os vestidos passaram a ter uma cintura alta, posicionada logo abaixo do busto, que valorizava a forma natural do corpo e permitia maior liberdade de movimento. Os tecidos eram super delicados, como musselina e seda. E, em contraste com as silhuetas clássicas e simples, os designs eram adornados com bordados elaborados, rendas e babados.

⭐️ A silhueta império foi um verdadeiro marco visual, sendo referência até os dias de hoje! ⭐️ 

Imagens: Vogue | Reprodução

Pensa no momento perfeito para ser um Bridgerton! O aumento da riqueza e a queda dos custos de tecido e manufatura fizeram com que as moças da alta sociedade tivessem o guarda-roupa dos SONHOS de toda 🎀girlie girl🎀. As trocas de roupas constantes eram parte da rotina, com todo tipo de vestimenta. O formato “base” variava de acordo com a ocasião:  mais fechado e de mangas longas durante o dia, e com decotes profundos e mangas curtas bufantes para eventos noturnos. Mas ainda assim haviam trajes específicos de caminhada, vestidos semi-formais (para óperas e jantares), vestidos de baile, roupas de montaria…

E, com tantas opções, a gente só pode imaginar o trabalho que as revistas de moda da época, como Costume Parisien ou Ackermann’s Repository of Arts, tinham para publicar tantos “Me Ajuda, Zélia”! 🗣️

Imagens: La Belle Assemblee (1817) | Reprodução

E chegou a hora de falar deles, os mais aguardados de toda temporada: os vestidos de noiva. No início do século XIX, eles não eram necessariamente brancos. Vermelho, amarelo, azul, rosa, verde-claro e até marrom eram opções de cores, já que a maioria das mulheres simplesmente usava sua melhor roupa para a ocasião. Apenas as mais ricas compravam vestidos exclusivamente para o casamento, consultando as últimas tendências de Londres e Paris! 💅 A moda do vestido branco só surgiu muuuito tempo depois, em 1840, com o casamento da Rainha Victoria…

Imagem: “Bridgerton” | Reprodução

Mas nem só de branco e leveza vivia a Inglaterra regencial… Nos períodos de luto, as roupas também seguiam uma etiqueta estrita - que devia ser respeitada durante um determinado período quando um membro da família ou da realeza falecia. As cores do luto eram o preto (no primeiro período) e, depois, durante o meio-luto, tons mais suaves como cinza, azul-escuro, roxo e lilás. O corte desses vestidos tinha pouquíssima - ou nenhuma - exposição da pele.

Imagem: La Belle Assemblee (1817) | Reprodução

“Rainha Charlotte: Uma História Bridgerton” | Reprodução

Mas não importava a ocasião: eram camadas, e mais camadas, e mais camadas de roupa… 😵 Se vestir não era uma tarefa fácil, e por isso nossas mocinhas de romance tinham criadas para auxiliar nesse momento!

Tudo começava pela chemise, uma espécie de “camisola” leve, feita de algodão, que servia também como pijama. A função dela era proteger as camadas superiores de, por exemplo, odores corporais… Sobre ela vinham as stays - um tipo de cinta modeladora que ia do busto ao quadril. Depois delas, as anáguas (também chamadas de petticoats), vestidos sem mangas (ou até mesmo saias que começavam abaixo do busto). Por último, o bustle pad, uma almofada acolchoada em formato de meia-lua, era usado entre o petticoat e o vestido externo para ajudar no caimento da saia - impedindo que o vestido “afundasse” na curvatura da lombar!

Imagem: “Orgulho, Preconceito e Zumbis” | Reprodução

“Tá, Zelia! Mas então, com tanta construção de camadas, os acessórios se tornam algo opcional!”

Aqui é que você se engana! As luvas, por exemplo, eram uma parte essencial do look, seja em grandes bailes ou até em idas à igreja. Por isso, os materiais variavam de acordo com o ambiente - indo desde couro até sedas super finas e delicadas. O leque também era praticamente um personagem principal quando contamos a história do Período Regencial 🪭✨ (quem lembra da cena de “O Diário da Princesa” sobre todas as formas de usar o leque, hein?). Eles eram dobráveis e podiam ser feitos de madeira, marfim e madrepérola, com folhas de papel pintado, tecido, renda ou até penas.

Nos sapatos, a moda eram sapatilhas planas e delicadas - que lembram as de bailarinas 🩰 E, para encerrar o combo de acessórios, os chapéus e bonnets eram requisitos para passeios! Já dentro de casa, as mulheres casadas usavam toucas (caps).

Imagem: “Emma” (2020) | Reprodução

Se você é do time de maquiagens super elaboradas, talvez o Período Regencial não seja para você… O frescor e a aparência natural eram o ideal de beleza da época. Uma vibe bem “acordei assim”! Na beleza, os cravos-da-índia queimados eram usados como lápis para as sobrancelhas (o que funciona surpreendentemente bem!), além do clássico rouge - o blush da época.

Imagem: Pinterest | Reprodução

ZÉLIA ENTREVISTA: JULIANA SCHMIDT

E foi nessa vibe de “cool girls que amam história da moda” que nossa equipe encontrou o trabalho da Juliana Schmidt (@juskinka)! Mestre em Design Cênico pela The Lir Academy - Trinity College Dublin, com especialização em figurino. Hoje, a Ju trabalha como figurinista e é autora do livro didático “Indumentária e Moda: Perspectivas Históricas e Contemporâneas - que a gente SUPER recomenda para qualquer pessoa que tenha gostado da vibe dessa news 💖 

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Zélia Team: “Bridgerton” voltou a colocar o Período Regencial no centro da cultura pop. Como você definiria esse momento da história da moda?
Juliana Schmidt: Eu adoro esse período, porque ele rompeu com a moda do Rococó, que era bastante opressora e rígida com o corpo feminino, e trouxe mais leveza, fluidez e transparência. Acho que isso faz total sentido em uma série que tem as mulheres como figuras centrais da história; o figurino reflete o impacto dessa liberdade no comportamento.

ZT: O que a série acerta - e o que ela reinventa - quando falamos de moda nesse período?
JU:Bridgerton” é conhecida por reinventar muitas coisas, mas, apesar de já ter sofrido certo hate por não ser completamente fiel à pesquisa histórica de figurino, eu amo a liberdade poética da série. Acredito que o propósito de seus figurinistas está muito mais ligado a criar um paralelo entre os dias de hoje e o momento em que a série se passa. Tanto que muito do que vemos na série acabou se tornando tendência de moda atualmente.

ZT: Como figurinista, o que você considera essencial para traduzir esse período em imagens hoje?
JU: A cintura marcada logo abaixo do busto é a característica mais forte do período, mas, para além disso, a Antiguidade clássica era o grande referencial da estética da época. Se olharmos para estátuas gregas, veremos a inspiração original dos cabelos, acessórios, tecidos e silhuetas.

ZT: Como as mudanças sociais e políticas do período influenciaram diretamente a forma de vestir? Como a moda ajudava a comunicar status social, personalidade e até intenções?
JU: Acho que, até pela influência greco-romana, a política e o status social tinham na moda um forte meio de comunicação nesse período. Um ótimo exemplo é a moda masculina da elite, que tinha forte inspiração na silhueta militar, com jaquetas estruturadas, dragonas e adereços, acompanhadas de botas de cano alto. Para as mulheres, existia todo um código no vestir, e “Bridgerton” é muito eficiente em mostrar isso: até o modo como a mulher segurava o leque podia informar se ela estava interessada em um pretendente ou não.

ZT: E para quem quer olhar séries de época com um olhar mais crítico e informado, qual dica você daria?
JU: A principal dica é ler e procurar fontes visuais da época. A pintura, por exemplo, informa muito sobre o período. Enquanto alguns artistas representam as elites, outros mostram a simplicidade da vida no campo, e ali é possível ter uma visão mais ampla de como as pessoas realmente se comportavam. Romances escritos no período, como os de Jane Austen para a era Regencial, também ajudam muito a construir um entendimento mais profundo sobre comportamento e até mesmo moda.

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Rayssa Arieta, 25 anos - Sou Relações Públicas na área de beleza e completamente apaixonada pelo que faço. Cada detalhe, cada momento de autocuidado, tem um significado especial para mim. Beleza não é só estética: é expressão, cuidado e amor-próprio. Adoro tudo que envolve esse universo e aproveito cada oportunidade para mergulhar nele e compartilhar essa paixão. 💘 

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